Renato Rabelo

Renato Rabelo nasceu em 1942 em Ubaíra, interior da Bahia. Viveu a infância em uma fazenda modelo, onde a família morava. Sua militância no movimento estudantil começa ao ingressar na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. Naquele período, integrou a Juventude Universitária Católica (JUC), e logo após a Ação Popular (AP). Em 1964, a juventude ganha papel especial na luta contra o regime militar. No ano seguinte, Renato é eleito presidente da União dos Estudantes da Bahia e participa ativamente da resistência do movimento estudantil. No mesmo ano e sob sua liderança, a UEB organiza uma peça teatral contra a ditadura, em Salvador, que reuniu mais de 5 mil pessoas violentamente reprimidas pela polícia. Nesta ocasião os estudantes enfrentaram Juracy Magalhães - ministro de Relações Exteriores do governo Castelo Branco - que passava de carro pela universidade e teve de sair às pressas devido à manifestação. O endurecimento do governo militar na Bahia forçou Renato a entrar num período de semi-clandestinidade, o que o fez seguir para São Paulo. No congresso da UNE realizado em Belo Horizonte em 1966 foi eleito seu vice-presidente. Terminada a gestão, assume papel de destaque na direção nacional da AP. Naquele momento, a organização se assumia como marxista-leninista e passou a se aproximar do PCdoB até se incorporar ao partido. No final dos anos 1960, quando já estava em curso a Guerrilha do Araguaia, Renato passou a compor o Comitê Central do PCdoB e a contribuir para criar bases de retaguarda para o movimento de resistência. A fim de cumprir sua tarefa, se transformou em propagandista de medicamentos e vendedor de telhas e tubos trabalhando junto à população de Goiás, na região do Bico do Papagaio. Em 1976 acompanha João Amazonas ao Congresso do Partido da Albânia. Logo em seguida viajam para a República Popular da China, onde são avisados do episódio conhecido como a Chacina da Lapa, quando três dirigentes foram mortos barbaramente e outros foram presos e torturados. Impedido de retomar ao Brasil, Renato passa a viver em Paris. No exílio, continuou seu curso de medicina e trabalhou em hospitais. Paralelamente, continuou sua atividade como dirigente e organizou a 7° Conferência Nacional do PCdoB - parte dela realizada na Europa - que retoma o trabalho partidário depois das quedas da direção nacional. No final de 1979, com a Anistia, retorna ao país. Participa da preparação do 6° Congresso que reestrutura o PCdoB e passa a integrar sua Executiva Nacional, sendo eleito duas vezes vice-presidente. No 10° Congresso, em 2001, por indicação de Amazonas, é eleito presidente do Partido. Participou das coordenações das cinco campanhas de Lula, desde 1989. À frente do PCdoB, foi atuante na oposição ao governo FHC, buscando reunir as forças progressistas contra o projeto neoliberal. Com a eleição de Lula e os novos desafios de participar do governo, Renato une o partido para esta nova realidade, com a realização da 9° Conferência, em 2003. No segundo mandato do presidente, passa a integrar o Conselho Político do Governo da República.

 

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